Leitura Orante - Círculos Bíblicos
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28º Domingo do Tempo Comum, Ano C
Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».
L E I T U R A:
Jesus sempre caminhando pelas estradas encontrou dez leprosos. Como era lei, estavam distantes, às margens da estrada, mas sabendo da passagem de Jesus, gritaram com humildade que Jesus tivesse compaixão deles. E Jesus não os cura logo, mas como devia fazer quem fosse curado, mandou que se apresentassem aos sacerdotes judeus. E eles ainda leprosos obedeceram confiantes, e no caminho receberam a graça da cura. Mas só um voltou para agradecer a Jesus, que aproveitou para dar-nos uma lição: só um voltou para agradecer ? E comenta que era samaritano (que não se dava com os judeus!) e confirma dizendo ao curado: Vai, pois tua fé te salvou.
- Por onde Jesus andava? Para onde se dirigia?
- Com quem se encontrou? Que disseram eles a Jesus?
- Qual a resposta que Jesus deu a estes que lhe pediam compaixão?
- Que fizeram ouvindo a ordem de Jesus? E o que aconteceu pelo caminho?
- Como reagiu um deles? E o que fez? Quem era e o que fez a Jesus?
- Que disse Jesus sobre o homem curado ? E o que disse então a ele?
- O R A Ç Ã O:
Como o homem curado da lepra, Jesus, quero ver, tua presença em todos os caminhos de minha vida: por isso repito com os leprosos: Jesus, meu mestre e Senhor, tem compaixão de mim. Recebe-me, Senhor com tudo o que sou, mesmo com o que não sou capaz de oferecer-te. Recebe-me tal como tu me vês. Recebe-me com as minhas alegrias e as esperanças que me fazem avançar, com as certezas que tenho a me guiar e os frutos dos teus dons em mim. Recebe-me com a minha miséria, Senhor: os pecados que são a minha vergonha, e com a lamentação da minha cruz, com as minhas dúvidas e silêncios. Recebe-me com as minhas limitações, com os meus muitos desejos inquietos, com a minha força e a minha vontade e este coração que me deste capaz de humildemente ir a teu encontro para pedir que me cures.
- M E D I T A Ç Ã O:
O evangelista da misericórdia apresenta-nos a resposta pronta de Jesus à lepra de quem vive longe do encontro, longe da salvação, marginalizado à sua existência pobre. A misericórdia de Jesus mostra a forma de compreender e de amar que supera a indiferença e que chega ao dom da entrega de si ao ponto de os curar. Mas apenas um é agradecido e volta para apresentar a Jesus o seu reconhecimento, prostrando-se. Era samaritano: duplamente marginalizado, mas agora elevado à resposta mais admirável – a resposta da sua fé. Porque é a fé que nos salva também a nós. Uma fé que nasce da ternura de Jesus que nos acolhe, que nos ama, que nos salva. Samaritanos ou não desta vida, vivamos dessa fé que salva.
- Nesta altura de minha vida, onde me encontro? Em que estrada, em que estado?
- O que me afasta do convívio com as pessoas ? Qual é minha doença?
- Ainda sei rezar? Como é minha oração? Que preciso pedir para mim?
- Reconheço as graças que recebo, sei agradecer?
- C O N T E M P L A Ç Ã O:
Jesus tem passe livre para andar e estar em qualquer lugar de minha vida. Não há barreira que O impeça de me ver, me seguir, me ouvir. Seu olhar me acompanha, vê e sabe o que penso, o que faço e o que sinto. Tudo em minha vida é claro diante d´Ele. Sou o que sou, faço o que desejo fazer. Ele não me impede, nem me segura. Mas como Pai que me ama muito, vê o que preciso e espera que eu lhe peça o que me é necessário. Pode ser que eu esteja me vendo por um espelho que não me mostre o que sou, sinto e penso. Por isso, hoje, meu Senhor e meu Deus, humildemente te peço cura-me, ilumina-me, guia-me por teus caminhos. Eu Te agradeço por me teres conduzido até aqui. Desde já Te agradeço por que sei que me levarás sempre por melhores caminhos.
- A Ç Ã O:
- Vou procurar aproximar-me mais de Jesus cada dia. Marcarei meu encontro com Ele na leitura calma de Sua Palavra, nas orações, nas celebrações, em minha família e trabalho.
- Com quem eu estiver durante o dia, em qualquer lugar, vou pedir pelas pessoas que estiverem comigo. Vou procurar enxergar na estrada de minha vida quem está distante do Senhor. Orarei em nome deles: Jesus, meu Mestre e Senhor, tem compaixão de mim!
28º domingo do tempo comum, Ano C 1
Leitura Orante – 28º domingo do tempo comum, domingo 09 de outubro de 2016
GRATIDÃO: o agradecimento é a memória do coração
“...e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; era um samaritano.” Lucas 17,16
1 – O que diz o texto?
Lucas situa o relato de hoje no caminho de subida a Jerusalém, no limite entre Galiléia e Samaria, lugar chave de disputas religiosas. Os leprosos que saem ao encontro de Jesus e gritam de longe pedindo-lhe que os cure, são dez. Significativamente, a lepra não distingue entre judeus e gentios, galileus e samaritanos. Todos são irmãos na miséria.
No relato podemos identificar os mesmos componentes presentes em outras narrações semelhantes de curas: apresentação da situação de enfermidade (“dez leprosos vieram ao seu encontro”), petição de cura (“Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”), intervenção de Jesus (“Ide apresentar aos sacerdotes”), cura (“enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados”) e reação diante do milagre.
É este último elemento que está mais desenvolvido na cena, e nele enfatiza-se o contraste da atitude de um dos leprosos (um samaritano que volta para agradecer a Jesus) com a dos outros nove. Na realidade, os outros nove leprosos curados não fazem senão cumprir as instruções de Jesus: ir e apresentar-se aos sacerdotes. Mas só um tem a suficiente finura espiritual para reconhecer profundamente o dom recebido e, deixando de lado as prescrições legais, dá primazia à expressão de agradecimento.
A gratidão parece apresentar-se aqui como um plus, como algo que deveria brotar com naturalidade nas relações humanas e na vida de fé, e não como uma atitude estatisticamente minoritária (um entre dez).
O samaritano sente que para ele começa uma vida nova; de agora em diante, tudo será diferente: poderá viver de maneira mais digna e ditosa. Sabe a quem ele deve isso. Precisa encontrar-se com Jesus.
Esta é a fé do samaritano que confia em Jesus, que crê no agradecimento mais que nas leis do sistema religioso. O agradecimento como atitude vital parece requerer, pois, uma especial sensibilidade espiritual, precisamente essa que encontramos nos santos e santas.
Caberia perguntar-nos quais são as razões que nos dificultam esta vivência da gratidão, quando esta deveria brotar de modo espontâneo e natural frente a tanto bem recebido.
2 – O que o texto diz para mim?
A tradição judaica transmite este ensinamento:
“Aquele que desfruta de um bem qualquer neste mundo sem dizer antes uma oração de gratidão ou uma benção, comete uma injustiça”.
A ação de graças está no coração mesmo da liturgia e da oração cristãs. A sorte e a felicidade do cristão consistem em poder dar graças a Alguém. O maior drama vivido por um ateu é não ter a Quem agradecer.
A pessoa compreende que “tudo é dom e graça de Deus” e esquecer de agradecer é passar ao lado daquilo que constituí a beleza da vida. Agradecer é muito mais que dar graças. Implica reconhecimento e correspondência. “Ali onde não há gratidão, o dom fica perdido” (Bruno Forte).
3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
No início de uma carta de Santo Inácio a um de seus primeiros companheiros, Simão Rodrigues, leio o seguinte:
“À luz da divina bondade me parece que, embora outros possam pensar de modo diferente, a ingratidão é o mais abominável dos pecados aos olhos de nosso Criador e Senhor, e de todas as criaturas capazes de aproveitar-se em sua divina e eterna glória.
Já que é esquecimento das graças, bens e bênçãos recebidas; e além disso aqui se encontra a causa e começo de todos os pecados e desgraças. Pelo contrário, a gratidão que reconhece as bênçãos e bens recebidos é estimada e amada não só na terra senão também no céu” (18 de março – 1542).
Na vivência cristã, a gratidão nasce com naturalidade e espontaneidade nos corações humildes, nas pessoas conscientes de que aquilo que recebem não é por mérito ou retribuição. Tudo é gratuidade.
Elas adquirem a fina percepção de que tudo é Graça, tudo é “de graça”, são “agraciadas”, “cheias de graça”... Precisamente porque perceberam suas vidas como um presente, voltam-se para Deus, entregando-lhe “tudo o que tem e possuem”.
4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, esse “agradecer”, esse viver “agradecidamente” não me é favorecido pela cultura consumista que me incita a estar sempre mais dependente daquilo que não tenho que daquilo que me é dado com abundância; uma cultura que fomenta e aviva uma eterna insatisfação, matando a capacidade de “recordar tantos benefícios recebidos pela criação, redenção e dons particulares” (S. Inácio).
A gratidão é alegria, a gratidão é amor. É por isso que ela se aproxima da caridade, que seria como uma gratidão sem causa, uma gratidão incondicional. Que virtude mais leve, mais luminosa, mais humilde, mais feliz!!! Gratidão = desfrutar a eternidade no cotidiano da vida.
5 – O que a Palavra me leva a viver?
Marcada pela gratidão, a pessoa deseja sempre corresponder o melhor, rejeitando todo tipo de mediocridade na entrega e no serviço.
O agradecimento é uma atitude fundante e fecunda que possibilita viver o cotidiano com outro “sabor”, com outro “ar”. Do agradecimento brota um estado interior de consolação, de disponibilidade, de agilidade em dar resposta às demandas da vida, de uma sensibilidade mais viva para perceber tudo aquilo que a vida cotidiana tem de dom e sem ansiedade por não receber compensações ou recompensas.
O agradecimento é a experiência humana que mais ativa a generosidade como atitude vital de minha existência de criatura amada e presenteada por Deus.
O agradecimento como atitude básica na vida é a tomada de consciência daquilo que estou recebendo, a acolhida dos bens que me são dados e das pessoas que me vem ao encontro; é viver não tanto dependente daquilo que creio que mereço e não me dão, quanto daquilo que, sem haver merecido, nem esperado, nem pedido, recebo e continuo recebendo no dia-a-dia.
Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 17,11-19
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne
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